Reunimos neste espaço a produção acadêmica do curso de Mestrado Europeu em Ciências da Educação, grupo Lusófona Brasil. As publicações referem-se aos estudos e pesquisas preliminares à elaboração do pré-projeto e da dissertação de mestrado. Seus conteúdos são passíveis de alterações pelo autor que se encontra aberto aos comentários dos leitores visitantes.
Quem sou eu
- Pensamentação
- Professor, Cientista Social, Especialista em Fundamentos de Educação para o pensar, Mestrando em Ciências da Educação
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
terça-feira, 8 de novembro de 2011
domingo, 6 de novembro de 2011
Dia de aprender
Qual é o dia certo para aprendermos? Não há dia prescrito para que o conhecimento se concretize. Prova disso final de semana que passamos juntos perscrutando memórias nos nossos cérebros, averiguando literaturas sobre tecnologias aplicadas à educação, indagando constantemente a Professora Suely Galli - que com paciência nos atende - e buscando energia para continuar a trilhar o caminho do conhecimento. Essa é nossa turma de guerreiros e guerreiras na batalha insessante em favor do aperfeiçoamento profissional.
Acreditamos e buscamos, juntos, construirmos uma identidade profissional mais atraente e sermos seres humanos mais humanos e melhores em prol daqueles aos quais servimos: nossos alunos, sejam eles crianças, adolescentes ou adultos. Assim seja!
Acreditamos e buscamos, juntos, construirmos uma identidade profissional mais atraente e sermos seres humanos mais humanos e melhores em prol daqueles aos quais servimos: nossos alunos, sejam eles crianças, adolescentes ou adultos. Assim seja!
O PROFESSOR E O SUPERVISOR PEDAGÓGICO:
SOLIDÃO OU SOLIDARIEDADE?
Trabalho exigido como avaliação da Disciplina Teorias e Modelos de Supervisão, sob orientação da Profa. Dra. Maria Regina Peres, do Programa de Pós Graduação em Supervisão Pedagógica e Formação de Formadores com acesso ao Mestrado Europeu em Ciências da Educação.
Eduardo Vieira Correia
2011
O objeto de estudo para a elaboração deste trabalho foi uma tese de dissertação de Mestrado em Educação, da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, de autoria de Mônica Botelho Maldonado, no ano de 2003.
(14/03/2011, às 07h47).
“Enquanto a Educação for utópica em sua complexidade, o sonho é necessário para que possamos trilhar um caminho”.
Roberto Giancaterino*
Prof. Dr. Roberto Giancaterino, nasceu em 1964, na cidade de Campinas, estado de São Paulo. É Pós-Doutorado em Educação; Doutor em Filosofia, Tecnologia Educacional e Mestre em Ciências da Educação e Valores Humanos. Especialista em Psicopedagogia Clínica e Institucional; Valores Humanos e Transdisciplinares; Docência do Ensino Superior; Administração e Supervisão Educacional. Também é Bacharel e Licenciado em: Filosofia, Física, Matemática e Pedagogia. Escritor, Pesquisador, Palestrante, Conferencista e Seminarista na área Educacional.
INTRODUÇÃO
A dissertação evoca a especificidade de uma escola de Minas Gerais e sua relação com a Supervisão Escolar. Tecnicamente, tece suas idéias principiando pela análise histórico-espacial, na qual localiza a instituição de ensino em Belo Horizonte , demonstrando informações de ordem histórica quanto à temática tanto local como Nacional. Fundamenta teoricamente suas idéias a partir de uma gama de pensadores restringindo a análise a partir de palavras-chave, tais como: Supervisão Pedagógica, teoria, prática, controle, autonomia, complexidade e solidariedade.
O móvel da pesquisa reside na insatisfação com o processo ensino-aprendizagem, na função do Supervisor de Ensino (controle, poder e dominação burocrática) e no binômio passividade/antipatia do professor em relação a este ator. Abastece o trabalho acadêmico expondo os resultados das pesquisas e finaliza demonstrando a necessidade de interação positiva entre os diferentes atores educacionais fundamentada na solidariedade com vistas a um Projeto Político Pedagógico emancipador.
A tese propugnou investigar o tema a partir de dois recortes históricos: décadas de 1970/1980 e 1990/2001. A pesquisa demonstrou o antagonismo conceitual entre os períodos analisados, sendo que na década de 1970/80 o supervisor exercia papel controlador, segmentador e orientador da atividade humana. Já na década de 90, era apontada “... como um dos instrumentos necessários à mudança nas escolas” (referência) evocando papel aglutinador e impulsionador da atividade educativa valorizando a emancipação, a participação e a solidariedade. No início da década de 2000 pesquisa mostrou que a profissão carecia de regulamentação e fundamentação teórica, além dos profissionais enfrentarem o desafio de transformar as relações de trabalho e “contribuir para sua qualificação enquanto agentes do processo do trabalho pedagógico” (referência).
Estudar esta tese nos levou a reflexão de que cabe ao supervisor escolar ser conhecedor do seu trabalho pedagógico e desenvolver seus propósitos em harmonia com todo o grupo a fim de detectar os problemas existentes e discutir, solidariamente, junto aos demais as possíveis soluções. Abordar questões relacionadas à supervisão escolar requer retomar a função do supervisor e refletir quais os mecanismos e ferramentas são utilizados para efetivar sua prática e quais saberes são necessários para tal.
OBJETIVOS
Partindo da idéia que o supervisor é aquele que “assegura a manutenção de estrutura ou regime de atividades na realização de uma programação/projeto (ref//), observamos que exerce influência consciente sobre determinado contexto com a finalidade de ordenar, manter e desenvolver uma programação planejada e projetada coletivamente (FERREIRA, 1999). O objetivo da autora é “investigar a relação do Professor com o Supervisor Pedagógico de uma escola pública de Belo Horizonte”, analisando a influência do trabalho pedagógico como um todo e a relação entre o supervisor e o professor, fundamentada na sua experiência profissional como professora de Língua Inglesa, durante 12 anos, no ensino fundamental.
A leitura pormenorizada da tese de dissertação demonstra claramente, desde o início, os objetivos a serem alcançados. De forma simplificada, podemos dizer que os principais são:
l investigar a relação do professor com o supervisor pedagógico de uma escola específica de Belo Horizonte, MG;
l compreender a razão do trabalho da Supervisão Escolar;
l analisar a influência da supervisão Escolar no trabalho pedagógico.
JUSTIFICATIVA
O tema da pesquisa é relevante na medida em que tomamos conhecimento que: “no contexto brasileiro, a supervisão apresenta-se como uma prática relativamente recente. Remonta aos anos 70 e surgiu no cenário sócio-político-econômico, historicamente, como a função de controle”. (ALARCÂO, 1996).
Pensar que o supervisor tem como objetivo articular crítica e construtivamente o processo educacional, e que ainda hoje desperta sentimento de incerteza e indefinição referente ao seu trabalho, já justifica o estudo desta tese.
METODOLOGIA
A pesquisa educacional requer metodologias que correspondam à especificidade da educação. Segundo Minayo,
A metodologia não só contempla a fase de exploração de campo (escolha do espaço da pesquisa, escolha do grupo de pesquisa, estabelecimento dos critérios de amostragem e construção de estratégias para entrada em campo) como a definição de instrumentos e procedimentos para análise de dados (MINAYO, 1994, p. 43).
A abordagem metodológica utilizada na tese estudada foi qualitativa. Minayo afirma que a pesquisa qualitativa:
“...trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser deduzidos à operalização de variáveis” (MINAYO, 1994, p. 21).
Sabendo-se que a metologia se refere ao cumprimento de etapas num processo e diante da insatisfação da autora, a pesquisa buscou analisar a relação entre professores e supervisão escolar especificamente na E.E. Monteiro Lobato. Para tanto, as ferramentas escolhidas para consecução dos objetivos foram:
l pesquisa histórica de dois momentos: década de 1970/80 (período da instalação da supervisão escolar no Brasil) e década de 1990/2000 (redefinição do papel dos profissionais de Supervisão Pedagógica nas escolas);
l entrevistas com diferentes atores ou, segundo a autora, categorias de análise, para anotar percepções dos atores sobre a profissão de Supervisor Escolar; relação teoria e prática; relação controle e autonomia.
Por fim, a autora contemplou uma diversidade de pensadores para revisitar o tema Educação, de modo geral, tecendo considerações incisivas e direcionadas à Supervisão escolar. Contudo, restringe a análise à tríade Complexidade (evocando Edgar Morin), Autonomia (aludindo José Contreras) e Solidariedade (Naura Syria C. Ferreira).
RESULTADOS OBTIDOS
A autora afirma que na EE Monteiro Lobato, o encontro entre supervisor e professores “produz conhecimento e provoca nos que dele participam, o sentimento bom de estar crescendo, sempre. Sentimento que contamina e, por essa via, do bem estar, qualifica o trabalho e humaniza as pessoas, então responsáveis e solidárias”. (referência).
O trabalho revela um estudo verdadeiro não só por tê-lo vivido como pesquisadora, mas como professora, logo, relato pormenorizado e fundamentado em pesquisa e teoria.
No nosso modo de ver, o resultado foi positivo por tratar-se de um grito de alerta, uma nova possibilidade de enxergarmos o supervisor educacional, um grande desejo de ver no supervisor uma pessoa que tenha qualificação teórica e que busque o aperfeiçoamento constante, cuja prática pedagógica seja planejada a partir das contribuições que pode dar ao sistema educacional brasileiro.
CONSIDERAÇÕES SOBRE A AUTORA DA TESE
A autora relata a solidão docente e a formação continuada que, segundo a ela, diante da possibilidade de contribuir na relação professor/supervisor, mostra-se ainda carente, sem seus objetivos definidos, criando um obstáculo em seu comprometimento pedagógico e traduzindo um sentimento de incerteza e indefinição em relação ao trabalho do supervisor, levando-a aos seguintes questionamentos: considerando as características do tempo, espaço e das relações do supervisor na escola, existe alguma característica de poder na sua ação? Para fazer o trabalho que a escola atual demanda, que formação deve ter o profissional encarregado de supervisionar e coordenar o trabalho pedagógico?
Segundo a autora, faz-se necessário compreender e contribuir com a carência em que se apresenta a escola e seus determinantes.
A autora contemplou uma gama de pensadores da área educacional, em especial Morin , José Contreras e Naura Syria C. Ferreira, além de uma série de outros nomes importantes, tais como: Ruben Alves, Caldeira, Saviani, Sang, Chon, Snyders, dentre outros.
ANÁLISE DA VIABILIDADE DA PESQUISA, CONSIDERANDO A NOSSA REALIDADE EDUCACIONAL E O PAPEL DO SUPERVISOR NO BRASIL
Várias são as questões que nortearam a pesquisa, tais como: A autonomia não seria o fator determinante da qualidade do trabalho docente? A mesma é conquistada solidaria ou solitariamente? Considerando o processo de construção da autonomia profissional, qual a natureza da ação do trabalho do Supervisor em relação ao Professor? A Supervisão traduz-se como controle do trabalho ou facilitadora do trabalho do professor? Que formação deve ter o profissional de Supervisão para o desenvolvimento do trabalho pedagógico? Diante destas indagações podemos inferir que:
l A partir da análise dos recortes históricos, podemos notar a presença de duas diferenças: 1) Controle (por parte do supervisor) e rejeição (por parte do professor) no que se refere ao período da década de 1970/ 80; 2) Desejo e solidariedade por colocar fim à solidão docente e do Supervisor (década de 1990/2000).
l Embasamento teórico robusto e análise de caso específico bem definido.
Apesar do recorte histórico e espacial que, sem dúvida, facilita o processo de pesquisa e construção do saber, tal contribui localmente – por se referir a um caso muito específico – e não como reflexão de um sistema.
Evidente e oportuna a análise histórica elucidadora da função e prerrogativas do Supervisor Escolar, se bem que não ficou claro o papel dentro do objeto de pesquisa: é agente externo ou um ente de dentro da própria instituição?
Outro ponto que merecia maior tratamento foi o conceitual. Ao tratar da complexidade de Morin, faltou aprofundamento em suas idéias para explicar a tecitura estrutural da educação em Minas Gerais como parte de um complexo maior: a Nação. Também a autora poderia ter explorado sociologicamente os conceitos de dominação e coerção. O primeiro conceito aludiria Max Weber e sua idéia sobre dominação legal[1] através de uma ética racional que permeia todo o capitalismo e sua ideal de controle burocrático por parte do Estado, visto que abordou períodos históricos que mereceriam a citação. O segundo – coerção – seria apropriado por denotar o princípio pelo qual a obediência social se instala, uma vez que ela leva o indivíduo à ação. Paralelamente, o conceito de coesão poderia ser explorado uma vez que ele aborda a essencialidade da união dos indivíduos a partir da solidariedade orgânica, característica da sociedade moderna e complexa, na qual os indivíduos tem maior liberdade de pensamento e autonomia, diferenciando-se da solidariedade mecânica característica de sistemas homogêneos e semelhantes entre si.
Por fim, definir o papel do supervisor no espaço escolar significa definir parâmetros de ação, retomar a multiplicidade de tarefas pelas quais respondem habitualmente o supervisor, e a razão da dificuldade em compartilhar com os demais educadores grande parte das tarefas da organização coletiva do trabalho nas unidades escolares sobre sua responsabilidade. Portanto, uma análise comparativa da função SUPERVISOR no Brasil seria mais interessante e esclarecedor.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALARCÃO, I. Ser professor reflexivo. formação reflexiva de professores: estratégias de supervisão. Porto Alegre: Porto, 1996.
FERREIRA, N. S. C (org.) Supervisão educacional: para uma escola de qualidade: da formação a ação. São Paulo: Cortez, 1999.
http://www.biblioteca.pucminas.br/teses/Educacao_MaldonadoMB_1.pdf (14/03/2011, às 07h47).
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